Casos de ansiedade e depressão têm aumentado entre os jovens

Estudo divulgado pela revista JAWA Psychiatry no início de fevereiro, baseado em dados do Global Burden of Disease Study de 2019, mostra que o mundo vive uma crise mental. Uma em cada dez pessoas entre 5 e 24 anos tem alguma alteração mental diagnosticada. Crianças estão mais ansiosas e adolescentes mais deprimidos.

No Brasil, segundo o relatório Situação Mundial da Infância 2021, estima-se que um em cada seis meninas e meninos entre 10 e 19 anos de idade tenha algum transtorno mental, o que aumenta o risco de automutilações, depressão e suicídio.

É preciso que os pais fiquem atentos aos sinais de alerta que podem aparecer bem antes da crise acontecer. Esses sintomas podem se manifestar na saúde, no desempenho escolar ou nas relações sociais, gerando ansiedade, estresse, distúrbios alimentares, depressão e ao serem detectados no início podem ser tratados sem a necessidade de medicação.

Outro ponto importante é a estrutura de amparo familiar, ou seja, os pais ou as pessoas que cuidam da criança e do adolescente. São eles que dão a base de segurança e confiança para esses jovens. Se ele vive em um ambiente hostil, com violência e insegurança, por exemplo, é esse apoio que vai lhe dar força e proteção. A escola é outro lugar que deve sempre dar suporte, tanto da parte dos professores, como da direção.

Se os pais perceberem situações que não aconteciam e passaram a ocorrer, eles devem procurar conversar com os filhos, mostrar que se importam com o que eles estão sentindo e estimulá-los a falar sobre as suas emoções. As crianças às vezes apresentam sinais muito cedo, como chorar muito, ser dependentes, não dormir, ir mal na escola, não querer sair de casa ou ir para o colégio e ficarem nervosas com tudo. Se os pais perceberem esses sinais devem procurar ajuda médica a fim de prevenir algum transtorno psiquiátrico mais sério no futuro.

A escola também tem um papel fundamental nesse processo. Mas muitas vezes os professores não têm sua saúde mental trabalhada e assim não conseguem identificar o que está acontecendo com o aluno. Acredito que a escola, junto com os pais e a comunidade, pode ajudar nessa questão da saúde mental abordando o tema com os alunos, perguntando como eles se sentem, o que está atrapalhando a vida deles e se está acontecendo alguma coisa diferente.

A questão do uso excessivo das mídias sociais é outro ponto que deve ser observado. Vale lembrar que todo excesso é ruim. O jovem fica desatento, isolado do convívio social, costuma comparar sua vida com a dos outros, principalmente aqueles que têm questões mal resolvidas de baixo autoestima, gerando assim sérios problemas, com o vício nas redes sociais, que deve ser combatido estipulando limites.

Uma maneira de melhorar a saúde mental dos jovens é estimulá-los a praticarem exercícios físicos, e a fazerem uma atividade que lhes dê prazer. Dormir bem, ter contato com a natureza, ter uma alimentação saudável, socializar com os amigos e ter um diálogo aberto em casa são outros pontos que devem ser inseridos no dia a dia.

Andreia Calçada é psicóloga clínica e jurídica. Perita do TJ/RJ em varas de família e assistente técnica judicial em varas de família e criminais em todo o Brasil. Mestre em sistemas de resolução de conflitos e autora do livro “Perdas irreparáveis – Alienação parental e falsas acusações de abuso sexual”.

Artigo publicado na Revista Slun